Pelé, o rei do futebol

Pelé: o rei do futebol

Tricampeão mundial, autor do milésimo gol no Maracanã e o único jogador a levantar três Copas do Mundo. A carreira de Edson Arantes do Nascimento em números, datas e fatos.

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Publicado em: 07/09/2026

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Por que Pelé, e não outro? A pergunta atravessa mesas de bar há décadas, e ela tem uma resposta razoavelmente objetiva: nenhum outro jogador reúne, ao mesmo tempo, três títulos mundiais, uma média de gols dessa ordem e uma carreira longa dentro de um único clube brasileiro. Os argumentos podem continuar, mas os dados são estes.

Edson Arantes do Nascimento nasceu em 23 de outubro de 1940, em Três Corações, Minas Gerais. Morreu em 29 de dezembro de 2022, aos 82 anos. Entre uma data e outra cabe a trajetória que transformou o apelido de infância no nome mais reconhecido do futebol mundial.

Quem foi Pelé e por que ele é chamado de rei do futebol

Pelé é chamado de rei do futebol porque é o único jogador da história a vencer três Copas do Mundo: 1958, na Suécia, 1962, no Chile, e 1970, no México. Nenhum outro atleta, de qualquer seleção, alcançou essa marca até hoje.

O apelido, no entanto, não nasceu apenas dos títulos. Ele se consolidou pela combinação de volume de gols, longevidade e alcance internacional. Pelé foi um dos primeiros atletas brasileiros a virar figura global em uma época sem transmissão ao vivo em rede mundial, sem redes sociais e com excursões de clube como principal vitrine.

A estreia aos 15 anos

Pelé estreou pelo time profissional do Santos em 7 de setembro de 1956, aos 15 anos, contra o Corinthians de Santo André. Menos de um ano depois, em 7 de julho de 1957, vestiu pela primeira vez a camisa da seleção brasileira contra a Argentina, aos 16.

A velocidade dessa progressão é difícil de dimensionar hoje. Em pouco mais de doze meses, ele saiu da base de um clube do litoral paulista para o time principal do Brasil. E no ano seguinte estava na Suécia.

Os números da carreira de Pelé

Aqui vale um esclarecimento que costuma gerar confusão, porque existem duas contagens diferentes circulando, e as duas estão corretas dentro do próprio critério.

Considerando apenas partidas oficiais, Pelé marcou 643 gols em 659 jogos pelo Santos e 77 gols em 92 partidas pela seleção brasileira. Considerando a contagem ampla, que inclui amistosos e excursões, o levantamento oficial da Prefeitura de Santos registra 1.282 gols em 1.367 jogos, sendo 1.091 pelo Santos e 95 pela seleção brasileira, com média de 0,94 gol por partida.

A diferença entre os dois números não é erro de ninguém. É consequência de uma era em que amistosos internacionais e excursões tinham peso competitivo real e eram tratados como jogos de verdade pelos clubes e pela imprensa.

O milésimo gol, contra o Vasco, no Maracanã

Em 19 de novembro de 1969, Pelé marcou seu milésimo gol de pênalti contra o Vasco da Gama, no Maracanã, em jogo do Santos. A partida foi interrompida para a comemoração, e a cena virou um dos registros mais reproduzidos do futebol brasileiro.

O gol de número mil pertence à contagem ampla, que era a usada na época e a que o próprio Santos adota. É por isso que a data está fixada em 1969 e não em outro ano.

Os títulos de clube

Pelo Santos, Pelé venceu a Copa Libertadores da América em 1962 e 1963, e a Copa Intercontinental nos mesmos dois anos, contra Benfica e Milan. Foi o auge do time que ficou conhecido como Santos de Pelé, e é o período em que o clube brasileiro se tornou atração internacional de excursão.

O detalhe da excursão é importante para entender a carreira dele. Sem transmissão de TV global, a forma de o mundo ver o Santos era o Santos ir até o mundo. O time viajava por Europa, África e Américas jogando amistosos contra seleções e clubes locais, às vezes com poucos dias de intervalo. Foi assim que Pelé se tornou conhecido em países onde ninguém assistia a jogo brasileiro, e é também por isso que o número total de partidas da carreira dele é tão alto.

Da seleção ao Cosmos: as três Copas e a despedida

Em 1958, aos 17 anos, Pelé se tornou o mais jovem campeão mundial da história, marca que segue de pé. Na Suécia, ele marcou na vitória das quartas de final, fez três gols na semifinal e mais dois na decisão contra os anfitriões. Era o primeiro título mundial do Brasil, e ele foi o jogador mais novo em campo.

Em 1962, no Chile, veio o bicampeonato, com uma participação encurtada por lesão logo no início do torneio. E em 1970, no México, o tricampeonato, com a seleção que costuma aparecer nas listas de melhores times de todos os tempos e que garantiu ao Brasil a posse definitiva da Taça Jules Rimet.

O que 1970 consolidou

A Copa de 1970 foi a primeira transmitida em cores para boa parte do mundo. Isso significa que a imagem de Pelé que atravessou gerações é, em grande medida, a imagem daquele time: camisa amarela, gramado do Azteca, jogadas que viraram referência mesmo quando não terminaram em gol.

É um caso raro em que timing tecnológico e auge esportivo coincidiram. O jogador certo, no time certo, no primeiro torneio que o planeta inteiro pôde ver com nitidez.

O Cosmos e a despedida

Entre 1975 e 1977 Pelé defendeu o New York Cosmos, na antiga liga norte-americana, com 66 gols em 107 partidas contando todos os tipos de jogo. A passagem teve um efeito que ultrapassou o esportivo: ajudou a popularizar o futebol nos Estados Unidos décadas antes de o país sediar a Copa do Mundo, e serviu de base para o crescimento da modalidade por lá.

Encerrou a carreira em 1977, depois de conquistar o título da liga com o Cosmos. A despedida oficial reuniu Cosmos e Santos em campo, com Pelé atuando um tempo por cada lado, num gesto que resumiu bem os dois clubes da vida dele.

O legado do camisa 10

A camisa 10 de Pelé virou referência simbólica. No Brasil, o número deixou de indicar apenas uma posição no campo e passou a designar uma função: o jogador que organiza, decide e carrega a responsabilidade criativa do time.

Quem quer vestir o manto da seleção encontra a linha completa na categoria oficial da seleção brasileira , com versões masculina, feminina e infantil da camisa do Brasil . Para quem prefere o clube onde tudo começou, a vitrine da camisa do Santos reúne os modelos atuais do time do litoral paulista.

O equipamento de quem quer jogar

O futebol da época de Pelé era jogado com chuteira de couro pesada e bola de couro costurada que ganhava peso na chuva. O jogo mudou, e o material mudou junto.

A escolha da chuteira hoje começa pelo piso. Para grama natural, a chuteira de campo usa travas maiores e fixas. Para grama sintética, a chuteira de society traz solado com travas menores e mais numerosas. E para quadra, a chuteira de futsal tem solado liso de borracha, feito para aderência em piso duro.

Completam o uniforme a bola de futebol adequada à modalidade, o meião que acomoda a caneleira e a camiseta de futebol para o treino. Nas categorias de base, o tênis infantil resolve o deslocamento até o campo.

O que mudou no material desde os anos 60

Vale a comparação, porque ela explica muita coisa sobre o jogo daquela época. A bola de couro absorvia água e podia ganhar peso considerável em campo encharcado, o que tornava o cabeceio uma jogada de risco real. A chuteira era de couro grosso, com cano mais alto e travas de madeira ou alumínio parafusadas, e precisava de amaciamento antes de entrar em campo.

Hoje o cabedal é sintético, leve e com estrutura desenhada para o toque na bola. A bola tem revestimento impermeável, costura termosselada e mantém o peso constante do início ao fim. É por isso que comparar números de eras diferentes exige algum cuidado: o material mudou, o gramado mudou e a preparação física mudou junto.

Os recordes que continuam de pé

Alguns marcos da carreira de Pelé seguem sem ser alcançados, e vale listar os principais.

Ele é o único tricampeão mundial da história, com 1958, 1962 e 1970. É o mais jovem campeão do mundo, aos 17 anos. É o mais jovem a marcar em uma final de Copa. E, na contagem ampla adotada pelo Santos, é o jogador com maior número de gols registrados em partidas de qualquer natureza.

Há ainda um recorde de outra ordem, difícil de medir mas fácil de reconhecer: nenhum outro jogador permaneceu tanto tempo no mesmo clube brasileiro no auge da carreira. Dezoito anos no Santos, num período em que o futebol europeu já tinha poder de compra para levá-lo.

Pelé em uma frase

Se fosse preciso resumir, seria assim: Pelé é o jogador que fez a seleção brasileira ganhar a identidade que ela carrega até hoje. Antes de 1958 o Brasil era um time de talento reconhecido e sem título mundial. Depois de 1970, virou referência global do esporte. Os três troféus dessa transformação passaram pelas mãos do mesmo camisa 10.

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