Motivar - Centauro Transforma

Instituto Motivar, com Centauro Transforma

Em Ponta Negra, no litoral de Natal, o esporte é a porta de entrada de uma instituição que hoje cuida de cultura, educação, agroecologia e qualificação profissional. O Centauro Transforma é quem mantém essa porta aberta.

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Publicado em: 10/09/2026

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O que faz uma criança voltar ao mesmo lugar toda semana, por anos? No Instituto Motivar, a resposta tem nome de modalidade: bodyboarding, karatê, breaking e frescobol. É pelo esporte que a maior parte dos atendidos chega, e é a partir dele que todo o resto acontece.

Fundado em 2012 no território de Ponta Negra, em Natal (RN), o Motivar nasceu com o esporte como principal vetor de transformação social, cidadania e fortalecimento comunitário. Essa escolha não foi acidental. A instituição foi idealizada e fundada por Aline Melo, ex-atleta profissional, que viveu na própria trajetória o poder de formação do esporte e levou essa experiência para o desenvolvimento de crianças, jovens e mulheres da comunidade.

O que é o Instituto Motivar e onde ele atua

O Instituto Motivar é uma organização da sociedade civil sediada em Ponta Negra, bairro do litoral sul de Natal, no Rio Grande do Norte. Sua atuação começou pelo esporte e, ao longo dos anos, foi ganhando novas frentes até formar o que a própria instituição chama de mandala integral de atendimento socioassistencial.

Hoje essa mandala abrange quatro áreas além do esporte: cultura, educação, agroecologia e qualificação profissional. É um desenho pensado para acompanhar a pessoa inteira, e não apenas um recorte dela. A criança que entra pelo karatê pode encontrar ali uma oficina cultural, um reforço escolar, uma horta comunitária. A mãe que leva o filho pode encontrar um curso de qualificação.

O esporte como coração da instituição

Apesar da ampliação das frentes, a área esportiva continua sendo a porta de entrada e o carro-chefe do Motivar. Isso significa que ela carrega uma função dupla: entrega valor por si mesma, com saúde, disciplina e convivência, e ao mesmo tempo é o canal por onde as famílias conhecem tudo o que a instituição oferece.

Quando o núcleo de esportes funciona bem, o restante da mandala recebe gente. Quando ele para, a instituição perde o principal fluxo de entrada. É exatamente por isso que a sustentação dessa frente virou prioridade.

Como o Centauro Transforma entra nessa história

O Centauro Transforma é o programa de impacto social da Centauro, que investe tempo, recursos financeiros, produtos e conhecimento no apoio a organizações da sociedade civil que usam o esporte como ferramenta de desenvolvimento humano. O programa se organiza em dois pilares: empoderar, com materiais esportivos, capacitação e suporte financeiro, e conectar, criando rede entre colaboradores, consumidores e instituições parceiras.

No Instituto Motivar, a Centauro é a viabilizadora do núcleo de esportes. Na prática, isso quer dizer que a marca custeia e viabiliza a execução contínua e a manutenção do espaço onde acontecem as atividades práticas de bodyboarding, karatê, breaking e frescobol.

A diferença entre um apoio pontual e uma viabilização contínua aparece na agenda. Doação única enche um armário por uma temporada. Viabilização de núcleo mantém professor, mantém espaço e mantém a aula acontecendo na semana seguinte, e na outra, e na outra. Nas palavras da própria instituição, a parceria é imprescindível para a sustentabilidade e a continuidade da frente esportiva, porque é o que torna possível manter as atividades em plena operação e expandir o alcance.

As quatro modalidades do núcleo e o que cada uma desenvolve

O recorte de modalidades do Motivar é bastante coerente com o território. Ponta Negra é praia, e três das quatro atividades conversam diretamente com isso.

Bodyboarding, o mar como sala de aula

O bodyboarding é praticado deitado sobre uma prancha curta, com nadadeiras nos pés, o que reduz bastante a barreira de entrada em relação ao surfe de pé. A criança aprende leitura de mar, respiração, noção de segurança na água e resistência física, tudo em um ambiente que ela já frequenta.

O equipamento básico é enxuto. Uma prancha de bodyboard adequada ao peso e à altura do praticante, um leash para não perder o material na arrebentação e proteção contra o sol. Para as sessões mais longas, muita gente usa também uma camiseta de proteção solar ou uma bermuda de surfe, que seca rápido e não pesa dentro da água. Nos grupos infantis, o modelo infantil de prancha e a sunga infantil completam o kit.

Karatê, disciplina que se mede em faixa

O karatê é arte marcial japonesa de golpes de percussão, com foco em postura, controle de distância e execução precisa. O sistema de graduação por faixas dá ao aluno um objetivo visível de médio prazo, e isso funciona muito bem com criança e adolescente: o progresso não é abstrato, ele está amarrado na cintura.

O uniforme é o karategi, que na loja aparece dentro da categoria de kimonos de lutas. Para as turmas mais novas, o kimono infantil segue a mesma lógica de corte, em gramatura mais leve. A faixa de graduação é comprada separadamente e trocada a cada avanço.

Breaking, o esporte olímpico que nasceu na rua

O breaking é a dança que virou esporte olímpico e estreou nos Jogos de Paris, em 2024. A prática combina força de membros superiores, controle de core, coordenação e criatividade, em rodadas curtas e intensas. Para adolescentes, tem um atrativo raro: é uma modalidade em que a identidade cultural do praticante faz parte do desempenho, não é um detalhe à parte.

O único equipamento realmente crítico é o calçado. O breaking exige um tênis de solado plano, com boa aderência e cabedal resistente ao giro, porque o pé desliza e trava o tempo todo. As opções mais usadas estão entre os tênis de solado baixo, e nas turmas infantis vale conferir a linha infantil de tênis.

Vale registrar o que a entrada do breaking nos Jogos Olímpicos representou para projetos sociais. Uma prática que antes era vista como manifestação cultural informal passou a ter federação, regra de competição e caminho de carreira. Para o adolescente que treina em um projeto de bairro, isso muda a conversa em casa: existe um horizonte reconhecido do outro lado.

Frescobol, o esporte que ensina cooperação

O frescobol tem uma particularidade que o torna excelente para trabalho socioeducativo: não existe adversário. A dupla joga junta, e o objetivo é manter a bola no ar pelo maior tempo possível. Quem erra não perde ponto para o outro, a dupla inteira interrompe a sequência. Isso muda completamente a dinâmica de grupo em relação a uma modalidade de disputa.

O material é simples e durável. Uma raquete de frescobol e a bolinha específica, mais macia que a de tênis, já bastam para começar. Quem prefere resolver tudo de uma vez pode olhar o kit de frescobol, que já vem com as duas raquetes e a bola.

Por que o esporte funciona como ferramenta social

O esporte funciona como ferramenta de proteção social porque cria três coisas ao mesmo tempo: uma rotina previsível, um adulto de referência e um grupo de pertencimento. Esses três elementos são, isoladamente, fatores de proteção reconhecidos no trabalho com crianças e adolescentes em contexto de vulnerabilidade.

A rotina previsível ocupa horários que, sem ela, ficariam vazios. O adulto de referência, no caso o professor, é uma figura que cobra, elogia e acompanha o desenvolvimento de perto. E o grupo cria vínculo horizontal, com pares que compartilham a mesma prática e o mesmo espaço.

Some a isso os efeitos diretos da atividade física sobre saúde, sono, humor e capacidade de concentração, e fica claro por que o Motivar escolheu o esporte como vetor principal em vez de tratá-lo como atividade complementar.

O território importa na escolha das modalidades

Um detalhe que costuma passar despercebido em projetos sociais é a coerência entre a modalidade oferecida e o lugar onde ela acontece. Um projeto de vela em um bairro sem acesso à água some em um semestre. Um projeto de mar em Ponta Negra encontra o oceano a poucos minutos de caminhada.

O recorte do Motivar segue essa lógica. Bodyboarding e frescobol usam a praia, que é o principal equipamento público disponível ali e não custa nada para acessar. Karatê e breaking acontecem em espaço coberto, o que garante que a agenda não dependa da maré nem do tempo. É um desenho que combina o que o território oferece de graça com o que precisa de estrutura própria, e essa combinação reduz custo operacional e aumenta a taxa de frequência.

A mulher no centro da mandala

Outro ponto que distingue o Motivar é a presença explícita das mulheres entre os públicos atendidos, ao lado de crianças e jovens. Em projetos esportivos comunitários, a participação feminina costuma ser a mais difícil de sustentar, porque compete com responsabilidades domésticas e de cuidado que recaem de forma desigual.

Ter uma fundadora ex-atleta profissional à frente da instituição muda a leitura desse ponto. A referência não é abstrata, é uma pessoa que percorreu o caminho e voltou para abrir a porta.

O que a continuidade muda na prática

Vale insistir nesse ponto, porque ele é o coração da parceria. Um projeto esportivo social vive de constância. A adaptação ao treino leva semanas. A construção de vínculo com o professor leva meses. A graduação de faixa leva mais tempo ainda. Nada disso sobrevive a uma agenda que abre e fecha conforme a disponibilidade de recursos.

Ao viabilizar o núcleo de esportes de forma contínua, o Centauro Transforma sustenta justamente a variável mais difícil de garantir no terceiro setor. O resultado que a instituição aponta é acesso continuado ao esporte, promoção da saúde e do bem-estar e fortalecimento do desenvolvimento integral dos atendidos, com espaço para expandir o alcance em vez de apenas manter o que já existe.

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Perguntas frequentes