Aos 14 anos, o brasileiro já soma títulos no circuito juvenil e presença em torneios tradicionais do calendário sul-americano. A trajetória dele ajuda a entender como nasce um tenista no Brasil.

Dante Monte: o prodígio do tênis brasileiro
- #Tênis
Centauro
Publicado em: 22/09/2026
Compartilhar:
Todo esporte tem a sua idade de virada, o momento em que o talento deixa de ser promessa de clube e começa a aparecer em chave de torneio internacional. No tênis, essa idade costuma ser mais cedo do que em quase todas as outras modalidades. É por volta dos 13 ou 14 anos que o circuito juvenil começa a separar quem joga bem de quem compete bem, e são coisas diferentes.
Dante Monte está exatamente nesse ponto da história. Brasileiro, nascido em 2012, ele chega aos 14 anos com raquete na mão desde os 4 e com uma temporada que já rendeu títulos, semifinais e viagens por torneios da América do Sul e da Europa.
Quem é Dante Monte
Destro, com preferência declarada pelo saibro, Dante começou a jogar aos 4 anos de idade e hoje compete na categoria juvenil, disputando eventos do circuito da Federação Internacional de Tênis, a ITF, além de torneios das categorias de base sul-americanas.
A preferência pelo saibro não é detalhe biográfico. No Brasil, o saibro é a escola natural do tenista, e isso molda o estilo de quem cresce aqui. A quadra lenta obriga o jogador a construir o ponto, a sustentar trocas longas, a se deslocar com passos ajustados e a desenvolver paciência tática. Não é por acaso que a tradição brasileira no esporte, de Maria Esther Bueno a Gustavo Kuerten, tem tanta ligação com essa superfície.
A temporada 2026 em números
Os registros do circuito juvenil dão a dimensão do ano de Dante. Foram cerca de 14 torneios disputados, com 2 títulos de simples conquistados (e 1 de duplas) e um retrospecto próximo de 27 vitórias em 39 partidas, aproveitamento em torno de 69%. Na categoria até 14 anos, especificamente, o índice sobe para perto de 78%. Durante a temporada, também foi número 1 do ranking sulamericano.
Além disso, os pontos altos da temporada foram a qualificação para Wimbledom e os vice-campeonatos com o Brasil (Sulamericano e Mundial U14).
Dante também conquistou dois títulos de simples, na Copa COSAT 14 Anos e na Copa Meta 65 Anos, ambos no início da temporada. Ele também chegou às semifinais do Banana Bowl e do Regatas Bowl, sendo o Banana Bowl um dos torneios mais tradicionais do calendário juvenil brasileiro.
O número que mais diz sobre um tenista de 14 anos não é o ranking, é o volume de jogos. Trinta e nove partidas em uma temporada significam dezenas de chaves, viagens, adaptações de superfície e situações de pressão diferentes. É essa quilometragem competitiva que constrói repertório.
O que são Banana Bowl e Copa COSAT
Quem acompanha tênis de base de perto conhece esses nomes. Para quem está chegando agora, vale a explicação.
O Banana Bowl é um dos torneios juvenis mais tradicionais do Brasil, disputado em Santa Catarina (esse ano, a categoria sub14 foi jogada em São Jose do Rio Preto) e frequentado por jogadores de dezenas de países. Passar por ele é praticamente um rito no tênis brasileiro, e boa parte dos nomes que depois chegaram ao circuito profissional jogou ali primeiro.
A Copa COSAT é o qualify para jogar Wimbledom U14, o torneio mais tradicional do tênis mundial, e faz parte do circuito da Confederação Sul-Americana de Tênis, que organiza a competição por faixas etárias na região. É o degrau em que o jovem jogador começa a enfrentar adversários de outros países com regularidade, o que muda completamente o nível de exigência em relação ao torneio estadual.
Como funciona a formação de um tenista no Brasil
A trajetória de Dante segue um percurso que tem etapas bem definidas, e entendê-las ajuda a ler o que significa cada resultado.
As categorias de base
A competição juvenil se organiza por idade, normalmente em faixas de até 12, 14, 16 e 18 anos. A criança começa em torneios locais e estaduais, avança para os nacionais e, quando o nível permite, entra nos torneios internacionais juvenis.
A transição para o circuito ITF (A partir desse ano, chama-se World Tennis Tour)
A partir dos 13 anos, o jogador pode disputar eventos do circuito juvenil da ITF, que distribui pontos e forma o ranking mundial da categoria. É o ambiente em que o tenista passa a competir contra jogadores de todo o mundo e em superfícies variadas.
A passagem para o profissional
Depois dos 18, o caminho é o circuito profissional, com seus próprios níveis de entrada. A transição é o ponto mais duro da carreira de qualquer tenista, porque o número de vagas diminui drasticamente e o custo da temporada aumenta. Muitos jogadores excelentes na base não chegam lá, e isso não diminui o que construíram.
O momento do tênis brasileiro
A trajetória de Dante acontece em um período de atenção renovada ao esporte no país. O tênis brasileiro voltou a ocupar espaço no noticiário, com nomes despontando no circuito profissional e com torneios de peso no calendário nacional, entre eles o Rio Open, principal evento de saibro da América do Sul, que o Arena cobriu no guia do Rio Open 2026 .
Esse contexto importa para quem está na base por uma razão prática: visibilidade gera estrutura. Mais atenção ao esporte significa mais patrocínio, mais torneios, mais quadras e mais chance de um jogador de 14 anos conseguir bancar a temporada internacional. A geração que aparece agora colhe o que a anterior plantou, e planta para a próxima.
Como é a rotina de um tenista de 14 anos
Quem observa de fora costuma imaginar horas ininterruptas de quadra. A realidade é mais dividida, e mais exigente.
A rotina combina treino técnico, com repetição de golpes e correção de mecânica, treino tático, em que se trabalha construção de ponto e leitura de adversário, preparação física, voltada a deslocamento, força e prevenção de lesão, e a parte que menos aparece: recuperação e escola.
Nessa idade, o limitador raramente é vontade. É carga. Corpo em crescimento tem menos tolerância a volume alto, e o trabalho de quem acompanha um atleta jovem é justamente segurar o excesso. Lesão precoce é o que mais interrompe a trajetória promissora no tênis, e ela costuma vir de treino demais, não de treino de menos.
O que separa talento de carreira no tênis
Se há uma lição na trajetória de jogadores como Dante, ela não está no golpe bonito. Está em três fatores menos fotogênicos.
Constância de calendário. Tênis se aprende jogando, e jogar exige estrutura de viagem, treino e recuperação ao longo do ano inteiro. Um jogador que compete 30 partidas por temporada evolui em ritmo diferente de quem compete 10.
Adaptação de superfície. Quem cresce no saibro precisa aprender a jogar rápido na quadra dura, e quem cresce no piso rápido precisa aprender a sustentar troca no saibro. Essa dupla competência é o que permite disputar o calendário internacional inteiro.
Saúde física e cabeça. Tênis é esporte individual, sem substituição e sem tempo fixo de jogo. A parte mental pesa tanto quanto a técnica, e a formação de base bem conduzida cuida das duas.
O que observar em um jovem tenista, além do resultado
Para quem acompanha um filho ou um aluno na base, a pergunta recorrente é como saber se a evolução está acontecendo. Resultado de torneio é o indicador mais visível e o menos confiável em idade de formação, porque depende de chave, de adversário e de calendário.
Três sinais dizem mais. A capacidade de sustentar a troca sob pressão, que mostra maturidade tática e não só técnica. A consistência do segundo saque, tradicionalmente o golpe que separa quem compete de quem apenas joga bem. E a recuperação entre partidas, porque torneio juvenil costuma exigir dois jogos no mesmo dia.
Nenhum desses três aparece no placar, e todos aparecem para quem assiste com atenção. É por isso que treinador experiente costuma comemorar mais uma derrota bem disputada em nível acima do que uma vitória fácil na própria categoria.
Começar no tênis: o que realmente importa no equipamento
Para quem está começando no tênis, a raquete certa é a que corresponde ao tamanho e à força do jogador, não a que o profissional favorito usa. Peso, tamanho da cabeça e empunhadura pesam mais na decisão do que a marca estampada no quadro.
A raquete de tênis para iniciante costuma ter cabeça maior, o que aumenta a área de contato e perdoa golpes descentralizados, e peso menor, o que facilita a execução. Jogadores mais experientes tendem a migrar para modelos mais pesados e de cabeça menor, que oferecem controle em troca de exigência técnica. As linhas de raquete Wilson, de Babolat e de Head cobrem as duas pontas.
Dois itens completam o kit e costumam ser subestimados. A bola de tênis certa muda o treino: bolas com pressão reduzida quicam menos e são indicadas para iniciantes e crianças, enquanto as pressurizadas padrão atendem quem já tem constância de golpe. E a raqueteira protege o equipamento, porque a raquete guardada no carro quente em dia de verão perde a tensão de corda mais rápido do que se imagina.
Para quem quer entender o esporte antes de escolher material, o Arena tem a história do tênis e do saque ao voleio.
Leia também
Perguntas frequentes
É um tenista brasileiro nascido em 2012, hoje com 14 anos, que compete no circuito juvenil. Destro e com preferência pelo saibro, começou a jogar aos 4 anos e disputa torneios das categorias de base na América do Sul e na Europa, além de eventos do circuito juvenil da ITF.
Ele venceu a Copa COSAT 14 anos e a Copa Meta 65 Anos no início da temporada, além de ter chegado às semifinais do Banana Bowl e do Regatas Bowl, dois torneios tradicionais do calendário juvenil sul-americano.
É um dos torneios juvenis mais tradicionais do tênis brasileiro, disputado em Santa Catarina, que reúne jogadores de vários países. Boa parte dos tenistas que chegaram ao circuito profissional passou por ele na base.
A iniciação costuma acontecer entre 4 e 7 anos, com quadras reduzidas, raquetes menores e bolas de pressão reduzida, que quicam menos e facilitam a troca. A competição por faixa etária começa mais tarde, normalmente na categoria de até 12 anos.
Modelos com cabeça maior e peso menor são os mais indicados, porque aumentam a área de contato e perdoam golpes fora do centro. A empunhadura deve caber confortavelmente na mão, e o peso precisa permitir que o jogador complete o movimento sem esforço excessivo.
A pressurizada é a bola padrão de competição, com quique mais alto e velocidade maior. A de pressão reduzida quica menos e viaja mais devagar, o que facilita o aprendizado e a torna indicada para crianças e iniciantes.
