Do ginásio em Joinville ao banco mais famoso do basquete americano: o catarinense de 41 anos assumiu o comando dos Bulls e abriu uma porta que nenhum brasileiro tinha atravessado antes.

Tiago Splitter no Chicago Bulls: o primeiro brasileiro a comandar um time da NBA
- #Basquete
Centauro
Publicado em: 04/08/2026
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Existe um detalhe que passa despercebido quando se fala de Tiago Splitter: ele nunca foi o jogador mais badalado do elenco em nenhum lugar por onde passou, e mesmo assim virou peça central em todos eles. Foi assim na Espanha, foi assim no San Antonio Spurs e é exatamente esse perfil que os Bulls foram buscar em junho de 2026, quando anunciaram o brasileiro como novo técnico principal.
A contratação é histórica em um sentido bem literal. Em quase oito décadas de NBA, nenhum brasileiro havia comandado uma franquia da liga como head coach. Splitter é o primeiro, e assume justamente o time que carrega seis títulos e a maior mitologia do esporte americano.
Quem é Tiago Splitter
Tiago Splitter nasceu em 1º de janeiro de 1985, em Joinville, Santa Catarina. Pivô de 2,11 m, saiu do Brasil ainda adolescente para jogar na Espanha e construiu ali a base de tudo o que veio depois.
Os anos de Baskonia: uma década na elite europeia
Splitter defendeu o Saski Baskonia (então conhecido como Tau Cerámica) de 2000 a 2010, uma permanência longa mesmo para os padrões europeus. O saldo é robusto: dois títulos da Liga ACB (2008 e 2010), três Copas do Rei (2004, 2006 e 2009) e quatro Supercopas da Espanha, além de vagas nos times ideais da EuroLiga em 2008, 2009 e 2010.
O ponto alto foi 2010, quando ele foi eleito MVP da Liga ACB, o campeonato nacional mais forte da Europa. Poucos estrangeiros conseguiram esse reconhecimento na história da competição.
San Antonio Spurs e o anel de 2014
Splitter foi escolhido pelo San Antonio Spurs na 28ª posição do Draft de 2007, mas só desembarcou no Texas em 2010, depois de fechar o ciclo europeu. Chegou a um elenco liderado por Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginóbili, sob o comando de Gregg Popovich.
Foi ali que a carreira dele encontrou o formato definitivo: pivô de sistema, forte na defesa de pick and roll, eficiente no rolamento para a cesta e disciplinado dentro de um esquema coletivo. Em 2013, os Spurs perderam as finais para o Miami Heat. Em 2014, voltaram e venceram, com Splitter no elenco campeão. Ele se tornou o primeiro brasileiro a conquistar um título da NBA.
Depois de San Antonio, jogou pelo Atlanta Hawks (2015 e 2016) e pelo Philadelphia 76ers (2017), encerrando a carreira de atleta em fevereiro de 2018.
Seleção brasileira
Pela seleção brasileira, Splitter acumulou ouro no Sul-Americano de 2003, no Pan-Americano de 2003 e nas edições de 2005 e 2009 da AmeriCup, além da prata em 2011. Disputou quatro Mundiais (2002, 2006, 2010 e 2014) e os Jogos Olímpicos de Londres 2012, na geração que devolveu o Brasil ao cenário competitivo internacional.
De jogador a técnico: o caminho até Chicago
A transição de Splitter para o banco começou logo depois da aposentadoria e seguiu um roteiro pouco comum entre ex-jogadores brasileiros.
Ele foi assistente do Brooklyn Nets entre 2019 e 2023, passou pelo Houston Rocke ts na temporada seguinte e então fez algo que quase ninguém faz: voltou à Europa para ser técnico principal, no comando do Paris Basketball em 2024 e 2025. Assumir uma equipe inteira, com total responsabilidade sobre resultado e rotação, foi o que faltava no currículo.
Em junho de 2025, retornou à NBA como assistente do Portland Trail Blazers . Meses depois, com o afastamento de Chauncey Billups, Splitter assumiu como técnico interino e entregou um resultado que mudou a leitura sobre ele no mercado: campanha de 42 vitórias e 39 derrotas e a classificação de Portland aos playoffs pela primeira vez em cinco anos.
Foi essa temporada que colocou o nome dele na disputa em Chicago. Em 16 de junho de 2026, os Bulls anunciaram oficialmente a contratação.
O que Splitter encontra no Chicago Bulls
O cenário não é confortável, e talvez seja exatamente por isso que a escolha faz sentido. Os Bulls fecharam a temporada 2025-26 com 31 vitórias e 51 derrotas e ficaram fora dos playoffs pela quarta vez seguida.
O problema mais evidente está na defesa. Chicago cedeu 121,5 pontos por jogo, o 28º pior número entre as 30 equipes da liga. Para um técnico que passou a carreira inteira dentro de sistemas defensivos organizados, primeiro como pivô em San Antonio, depois como assistente responsável por essa área, o diagnóstico é quase um convite.
Existe também o peso do endereço. O Chicago Bulls é a franquia dos seis títulos conquistados entre 1991 e 1998, com Michael Jordan e Scottie Pippen sob o comando de Phil Jackson, e continua entre as marcas mais reconhecidas do esporte mundial mesmo depois de quase três décadas sem final. Assumir esse banco significa lidar com uma torcida que tem memória longa e paciência curta.
A reestruturação começou antes da chegada dele: Bryson Graham assumiu como novo executivo de basquete em maio de 2026, e Billy Donovan deixou o cargo ao fim da temporada. Splitter chega como parte de um projeto novo, com um elenco jovem e sem a pressão imediata de título.
Por que a escolha faz sentido para os Bulls
Três elementos explicam a aposta:
Experiência real de comando. Diferente de vários assistentes promovidos, Splitter já dirigiu um clube inteiro na Europa e já assumiu um time da NBA em situação de crise, com resultado positivo.
Especialidade defensiva. O maior buraco de Chicago é justamente a área que ele domina. Sistema de pick and roll, posicionamento de pivô e rotações defensivas foram o pão de cada dia dele como jogador e como assistente.
Perfil de desenvolvimento. Elenco jovem pede técnico que ensina. Splitter construiu reputação em Brooklyn e em Houston trabalhando com jogadores em formação, e a passagem por Paris reforçou isso.
O que essa história significa para o basquete brasileiro
O Brasil já teve jogadores importantes na NBA. Nenê, Anderson Varejão, Leandrinho Barbosa, Raul Neto e o próprio Splitter abriram caminho como atletas ao longo de mais de duas décadas. A vaga que faltava era a do banco.
Ver um brasileiro comandando decisões de rotação, pedindo tempo em final de jogo e desenhando esquema defensivo para uma franquia da NBA muda a referência de quem cresce jogando basquete no Brasil. Deixa de ser apenas "chegar como jogador" e passa a incluir "chegar como treinador", que é um caminho bem mais longo e bem menos visível.
Se você quer entender melhor o funcionamento da modalidade antes de acompanhar a temporada, vale revisar as regras do basquete e as posições dos jogadores em quadra .
Como acompanhar e torcer pelos Bulls
Chicago é uma das franquias mais vestidas do mundo, e não é por acaso: o logotipo do touro vermelho virou item de moda muito além da quadra. A linha completa do Chicago Bulls reúne as peças licenciadas da NBA, incluindo camisas e regatas , jaquetas e moletons e bonés .
Para quem joga além de torcer, o que muda a experiência em quadra é o par de tênis de basquete , pensado para os apoios laterais e as travadas bruscas do jogo, e uma bola de basquete oficial com o tamanho e o toque corretos. Se a ideia é montar um espaço em casa, a tabela de basquete resolve.
A temporada regular de 2026-27 da NBA começa em outubro, e a loja oficial da NBA na Centauro concentra os produtos licenciados de todas as franquias.
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Perguntas frequentes
O técnico principal do Chicago Bulls é o brasileiro Tiago Splitter, anunciado oficialmente em 16 de junho de 2026. Ele substituiu Billy Donovan e chegou depois de comandar o Portland Trail Blazers como técnico interino na temporada 2025-26.
Sim. Splitter é o primeiro brasileiro a assumir o cargo de head coach de uma franquia da NBA. Antes dele, brasileiros haviam atuado apenas como jogadores ou como assistentes técnicos na liga.
Como atleta, Splitter foi campeão da NBA em 2014 com o San Antonio Spurs, além de duas Ligas ACB (2008 e 2010), três Copas do Rei e quatro Supercopas da Espanha pelo Saski Baskonia. Também foi eleito MVP da Liga ACB em 2010.
Sim. Ele disputou quatro Campeonatos Mundiais (2002, 2006, 2010 e 2014) e os Jogos Olímpicos de Londres 2012, além de conquistar ouro no Pan-Americano de 2003 e nas AmeriCups de 2005 e 2009.
A defesa. Chicago terminou a temporada 2025-26 cedendo 121,5 pontos por jogo, o 28º pior desempenho da liga, e ficou fora dos playoffs pela quarta vez consecutiva. Reorganizar o sistema defensivo é a prioridade declarada do novo ciclo.
A linha licenciada do Chicago Bulls está disponível na Centauro, com camisas, regatas, bonés, jaquetas e moletons. A loja da NBA reúne também os produtos das demais franquias da liga.
