Instituto Rottas

Instituto Rottas e o Treinando para a Vida: o futebol como ferramenta de formação

Mais de 200 crianças e adolescentes, 20 turmas e aulas gratuitas quatro dias por semana. Na comunidade do Tanguá, em Almirante Tamandaré, o futebol virou método de trabalho.

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Centauro

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Publicado em: 21/08/2026

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O que acontece em um treino de futebol de base vai muito além do que o placar registra. Chegar no horário é disciplina. Aceitar a decisão do professor é respeito. Cobrir o companheiro que subiu é trabalho em equipe. Perder e voltar na quarta-feira seguinte é resiliência. O Instituto Rottas montou um projeto inteiro em cima dessa leitura.

Quem é o Instituto Rottas

O Instituto Rottas é uma organização social criada em 2019 que desenvolve projetos voltados à educação, ao esporte, à inclusão e ao fortalecimento comunitário.

A atuação é concentrada em Almirante Tamandaré, município da Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná, com trabalho estruturado em três eixos: promover inclusão social, usar o esporte como caminho de aprendizagem e alinhar as ações a metas de desenvolvimento sustentável.

Além do esporte, o instituto mantém frentes culturais e de reforço escolar, com atividades de teatro, dança e empreendedorismo que caminham ao lado do treino.

O que é o projeto Treinando para a Vida

O Treinando para a Vida é o principal projeto do Instituto Rottas. Ele oferece aulas gratuitas de futebol na comunidade do Tanguá e atende mais de 200 crianças e adolescentes de 6 a 17 anos.

A operação é maior do que a média de projetos do tipo. São 20 turmas, organizadas por faixa etária, com atividades de segunda a quinta-feira, nos períodos da manhã e da tarde, sempre no contraturno escolar. Cada turma treina duas vezes por semana.

Há ainda um recorte específico para os mais velhos: os jovens de 15 a 17 anos que integram as turmas voltadas à alta performance treinam quatro vezes por semana. É o degrau que separa a prática recreativa da formação esportiva mais séria, e ele existe justamente para não desperdiçar o aluno que se destaca.

Por que o contraturno escolar

A escolha do horário é estratégica. O contraturno é a janela em que a criança está fora da escola e, muitas vezes, sem supervisão. Ocupar esse período com atividade estruturada, local fixo e adulto de referência é o que dá ao projeto o alcance que ele tem.

Também é o que permite que o projeto acompanhe o desempenho escolar de perto. Quando o time e a escola falam da mesma criança, o problema de aprendizado aparece mais cedo.

Mais do que ensinar a jogar

O nome do projeto não é figura de linguagem. O futebol é a porta de entrada, e o trabalho real acontece nos valores que a atividade permite treinar de forma concreta, e não em discurso.

  • Disciplina, construída na rotina de horário, presença e preparação
  • Respeito, exercitado com o professor, com o companheiro e com o adversário
  • Responsabilidade, que aparece no cuidado com o material e no compromisso com a turma
  • Trabalho em equipe, que no futebol é condição de existência, não escolha
  • Resiliência, treinada em cada derrota que não encerra a temporada
  • Convivência comunitária, com o projeto funcionando como ponto de encontro do bairro

O futebol tem uma vantagem específica nesse tipo de trabalho: é o esporte com maior repertório cultural entre crianças brasileiras. O professor não precisa explicar o que é o jogo antes de começar a ensinar. Ele já entra no meio da conversa.

O papel do Centauro Transforma

O Centauro Transforma é o programa de investimento social da Centauro, voltado a organizações que usam o esporte como instrumento de transformação. O Instituto Rottas é uma das instituições apoiadas.

O apoio contribui para a manutenção e o fortalecimento das atividades do Treinando para a Vida, o que na prática significa duas coisas: garantir que o que já existe continue funcionando e permitir a ampliação do trabalho, com novas oportunidades para as crianças e os adolescentes atendidos.

Essa distinção entre manter e ampliar merece atenção. Projeto social costuma nascer com energia e morrer por falta de continuidade, porque doação pontual resolve o mês e não resolve o ano. Apoio recorrente muda a natureza do planejamento: dá para contratar professor, montar calendário de temporada, comprar material com antecedência e projetar quantas turmas o próximo ano comporta.

O Arena já contou outras frentes do programa no texto sobre como o Centauro Transforma vira o Dia das Crianças num grande jogo de transformação .

O que 20 turmas significam na prática

Vale traduzir o número, porque ele é o dado mais impressionante do projeto.

Vinte turmas com atividade de segunda a quinta, em dois períodos, e cada turma treinando duas vezes por semana, formam uma grade que ocupa a estrutura quase integralmente durante toda a semana útil. Isso exige quadro de professores, controle de frequência, gestão de material e logística de espaço.

Para uma organização criada em 2019, chegar a esse porte em poucos anos indica duas coisas: demanda reprimida na comunidade e capacidade de execução. Nenhuma das duas é óbvia.

E, para os jovens de 15 a 17 anos na frente de alta performance, os quatro treinos semanais criam algo que projetos sociais raramente conseguem oferecer: um caminho de continuidade para quem quer levar o esporte adiante, seja como atleta, seja como profissional da área.

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