Home

A primeira cicloviagem a gente não esquece

Compartilho com vocês uma experiência única que vivi nesse domingo: pedalei cerca de 120 quilômetros de São Paulo até Santos. Confira abaixo o relato desse dia especial!

Por Luisa Coelho

O encontro dos ciclistas estava marcado para as 7h no Parque do Povo, na capital paulista, para seguir até Santos. O tempo de percurso previsto era de 9h de pedalada! Isso me fez desistir da balada do sábado para acordar às 5h no domingo. Afinal, tinha um pedalzinho da minha casa até o Itaim. Saí às 6h, já na pressa, pensando que não chegaria a tempo.

Para a minha surpresa, a ciclofaixa já estava formada. Cheguei rapidamente ao parque, onde algumas pessoas já conversavam com o ciclista e blogueiro Bicicreteiro, André Pasqualini, organizador do evento. A minha amiga não havia chegado ainda e confesso que fiquei receosa de pedalar sozinha (depois percebi que não passava de um ledo engano).

O primeiro grupo começou a seguir para a ciclovia do rio Pinheiros, de onde partiríamos. Observei tudo e todos – alguns super equipados, outros com os equipamentos básicos. Eram senhores, gordinhos, magrinhos, jovens, gente de todos os tipos e cantos de São Paulo.

Encontrei a minha amiga, ouvimos as instruções e a partida foi dada às 7h30. O dia estava amanhecendo e o sol refletia de forma tão bonita no rio, que até o mal cheiro do rio Pinheiros foi ignorado. No caminho, já recebi conselhos para levantar o banco da bicicleta, pois poderia sentir dor nos joelhos. Ainda não me sentia segura com a ideia de não apoiar os pés no chão. Mas, durante a viagem, fui subindo o banco aos poucos, conforme ia me adaptando.

Passamos pelo Grajaú, onde fizemos a primeira parada, numa feira para comprar frutas e água de coco, e seguimos entre os carros por ladeiras e semáforos. Por um instante, o grupo em que eu estava se separou do restante, mas logo enxergamos o bike anjo (voluntários que auxiliam nos trajetos) sinalizando na rua de baixo.

Um ciclista cuidava da trilha sonora do passeio com a sua caixinha de som. E surpreendeu com a música “Superfreak”, de Rick James, em plena subida, fazendo com que subíssemos uma ladeira sem queixas – e, de quebra, com que os ciclistas que tinham parado para tirar foto mexessem o quadril.

Passamos pela represa Billings por uma balsa, chegando à Ilha do Bororé (na verdade, península), área de preservação ambiental com muito verde, chão de terra (inclusive, várias subidas). Nem parecia que estávamos em São Paulo.

A segunda balsa nos levou até São Bernardo do Campo, onde seguimos em estrada de terra até chegar à Rodovia Imigrantes. Para alcançar o asfalto, subimos por um morrinho, onde o grupo mostrou sua união e solidariedade ao passar as bikes de mão em mão até a rodovia.

Seguindo pelo asfalto, chegamos ao Rancho da Pamonha por volta das 13h, e paramos para reabastecer as energias. De lá, rumamos para o Parque Estadual da Serra do Mar, um lugar maravilhoso – fresco, com muito verde, curvas e até uma cachoeira. O sentimento de liberdade ao descer em alta velocidade enquanto avistávamos os carros de longe sob pontes entre morros é indescritível. Era preciso parar de tempos em tempos para bater uma foto.

Na saída do parque, seguimos para Cubatão, onde levei um tombo bonito e ralei o cotovelo e o joelho. Eu não poderia deixar de ter uma marquinha para lembrar deste dia. Aliás, passei os últimos três dias lembrando com alegria do passeio, a cada degrau da escada ou banho quente.

No momento da queda, recebi todos os cuidados de vários ciclistas, que me auxiliaram na hora de limpar as feridas. O grupo tratou de cuidar de todos os problemas, desde machucados, como o meu, até problemas técnicos, como pneus furados.

Em Santos, sob chuva, o grupo de 300 pessoas já havia dispersado. Mas pudemos encontrar o Bicicreteiro para tomar uma bebida e fazer a tão esperada refeição – não que o meu lanche do quiosque possa ser chamado de refeição, mas para a fome que estava sentindo, foi ótimo. Pegamos o ônibus das 21h e chegamos de volta a São Paulo, na Rodoviária do Jabaquara por volta das 22h30.

Era o fim de um dia marcante que pode ser considerado uma das melhores experiências que já tive até hoje. Quem diria que os 120 km de passeio até a cidade vizinha seriam tão especiais? Foi a minha primeira cicloviagem. E a primeira a gente nunca esquece.

No fim, percebi que eu não era a única a descer da bike em algumas subidas. E conheci tanta gente (e tão unida), que aquele medo inicial de pedalar sozinha se tornou engraçado. Os que encontrei no final tinham o cansaço estampado no rosto, mas não deixavam de mostrar a felicidade e satisfação, que eu também estava sentindo. Que venham muitas outras! De preferência, recheadas de pessoas especiais como as que conheci neste domingo.

Fotos de: Bicicreteiro; Anderson Luz

9 comentários para A primeira cicloviagem a gente não esquece
  1. mayra disse:

    ahhh que relato lindo!!
    Deu até vontade de me aventurar em uma cicloviagem!!

    • Fabio Santos disse:

      Não passe vontade, supere seus medos, suas incertezas, encare os desafios, mostre, principalmente a si mesma, que você pode e vai conseguir, pois, a experiência é única a cada novo desafio e, tenho certeza que irá amar cada vez mais.

  2. Bruna Gomes disse:

    Eu também participei dessa cicloviagem e concordo com a Luisa. Foi INCRÍVEL!!!

  3. Francisco Ogawa disse:

    Parabéns!! ficou show esse relato, retratou de uma forma exatamente perfeita essa cicloviagem (também estava lá)… Que venham muitass…. :)

  4. Lúcio disse:

    Com certeza esta cicloviagem marcou muita gente, foi uma prova de superação e amizade parabéns Luisa você foi bem feliz nas palavras acredito que tenha conseguido expressar o sentimento de cada ciclista participante…e que venha a próxima!!!

  5. Débora disse:

    Muito bom! Quero ir na próxima! Mas, 120km? tem que gostar mesmo hein!

  6. Claudio R. Mendes disse:

    Luisa, legal você lembrar da musica Superfeak, meu repertorio é grande e nas pedaladas em que participo, nunca deixo o som de lado, pedalo desde novembro/2011, por determinação medica ( me livrar do sedentarismo e dos quilinhos a mais), já emagreci 55 quilos ( a cirurgia bariátrica ajudou na perca de uns 30 quilos) o restante foi pedalando, se você gostou do evento, entre no site do circuito brasileiro de cicloturismo, eles realizam passeios mensais, com uma excelente infraestrutura (possuem caminhão de apoio, ambulância e escolta policial)e o passeio ainda termina em um restaurante com a presença de todos os participantes, espero encontrar você la…

    Claudio Mendes

  7. Rafael Taleisnik disse:

    Que experiência legal Lu ! Texto muito bem escrito carregado de emoções. Que esta viagem tenha sido a primeira de muitas outras. Beijos !

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>